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A morte necessária
Lava tua chaga. Não me causa compaixão.
Enxuga tua lágrima. Ela não me salga.
Corre trôpego! Tua queda não me causa pena.
Sente o gosto do teu sangue. Tuas vísceras são tuas.
Carrega solitário tuas dores. Ninguém sente teu pesar.
Dorme aquilo que puder. Teu cansaço não me importa.
Entrega tua demanda. Cospe tua juventude na exaustão dos teus dias.
Morre lentamente. Todo dia menos você.
Menos um quilo. Menos um gasto.
Menos valia. Menos dias.
Menos é mais. Menos que tudo.
Menos.
Não há ninguém para afagos.
Teus pés calejados não têm repouso.
Tua vida em vão entre os vícios.
Por misericórdia recebida pelos que não não têm compaixão.
Acende teu cigarro. Bebe teu último trago.
Engole teu pigarro. Escarra teu escárnio.
Cospe teu dilema. Esbraveja tua cena.
Faz amor com teu orgulho. Engravida tuas certezas.
Amanhã já é passado.
O ontem tarde demais.
Hoje não existe.
Morre rapaz...
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