A importância do agora
O universo é realmente uma caixinha de surpresas, como diria o nosso amado Joseph Klimber. Quando a gente pensou que nossas casas fossem virar escritórios? Que nossas reuniões passassem a ser virtuais? E que nossas profissões tivessem que ser reinventadas todos os dias? Em 2019 pensávamos continuar imbatíveis diante de tudo e de todos. Perante a natureza, a ciência, os animais, o etéreo e o material. Tudo era dominado pela humanidade. Seres altamente qualificados. Humanos intelectualizados e com polegar opositor, dominantes sobre a Terra e desbravadores do espaço. Quanta soberba...
Algo microscópico (e não me apego aqui de onde, porquê e como surgiu) veio como um grande divisor de águas, quase que como uma praga bíblica, a diminuir o ego de toda uma civilização a pó. Tivemos muito medo. Nunca tudo e todos foi tão contestado. A ciência - impávida - tentava e tenta explicar, até hoje, o quase inexplicável. A velocidade, a brutalidade e a força de um "parasita intracelular, que não possui metabolismo próprio", tão ínfimo e frágil, capaz de "derreter" ao menor contato com água e sabão, desafia todo um exército de homens treinados para matar e morrer. Nossa espécie foi rebaixada ao lugar que, honestamente, imagino nos pertencer desde as mais priscas eras: o patamar dos mortais, cheios de angústias e incertezas, que lutam diariamente contra os seus vícios, suas taras, seus egos e desejos e que temem absurdamente o momento da morte.
Como nada é bom ou ruim e tudo apenas é, então veio a luz. Uma nova dinâmica teve que ser criada, pelo bem maior da espécie. Pais que não viam seus filhos passaram a ter que conviver com eles no mesmo espaço. Muitos até descobriram qual a sua brincadeira preferida e qual a comida que mais gostavam. Casais às vésperas da separação puderam, na obrigatoriedade da convivência, se reconhecer e muitos se reapaixonaram. Outros, que levavam os dias de matrimônio como quem come xuxu cozido na água e sal não suportaram a presença em comum e partiram. O escondido foi revelado. O revelado se resignificou. E nada mais foi a mesma coisa. E nunca mais será.
A brevidade da vida. As vidas ceifadas. A dor. A convalescença. A saudade. A ausência. Os túmulos. As perdas. Tudo revelou o quão "do pó ao pó" somos e sempre seremos. O quanto é importante jamais deixar de dizer um "eu te amo", "eu sinto a sua falta", "você é importante pra mim", "gosto de estar aqui", "estou feliz em trabalhar com vocês", "tenha um bom dia", "seja feliz" e "se cuide". Mas, acima de tudo, "leve um casaco, que pode esfriar"! Diga hoje!!! Não deixe nada para amanhã. Se não for pelo vírus, será por outro motivo, causas naturais ou não. Morte matada ou morrida. Uma única coisa é certa: a vida acaba! Não deixe para amanhã o beijo e o afeto que você poderia dar agora. Não durma brigado com ninguém. Não perca tempo com as coisas materiais, elas não vão com você. E, acima de tudo, seja humilde. Porque a única certeza disso tudo que estamos vivendo é que nossas certezas não são exatas...

Linda❤️
ResponderExcluirObrigada, querida!
ExcluirParabéns Luzia que não é Luiza. Tua percepção e vivência do conteúdo sutil dos acontecimentos em torno da vida, através dos belos textos que tens o dom de escrever, nos dá a oportunidade de experimentar uma excelente, agradável e prazerosa leitura.
ResponderExcluirParabéns pelo novo texto, belo e impecável como sempre, o que já se tornou sua marca.
ResponderExcluirDesde as mais priscas eras...Parabéns pelo blog Lu. Continue a escrever!
ResponderExcluirParabéns pelo texto maravilhoso mamãee!! Esse texto fez com que eu sentisse estar flutuando, literalmente. Você soube resumir algo em que estamos vivendo a muito tempo de uma maneira incrivelmente perfeita.
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