Geração Coca-Cola, a mãe da Geração Nutella

A gente cantou os hinos dos anos 80/90. Cultuamos Legião, Capital, Frejat, Barão Vermelho, Paralamas, Cazuza, Kid Abelha, Pato Fu, Uns e Outros e tantos outros... E parimos a geração Nutella... A que tem medo de ouvir que é gordo, feio, dentuço, magrela, veado, preto... A que não sabe lutar sem estar protegido por seus Iphones, Ipads e Iquetudo que o mundo encantado da "maçã mordida" proporcionou. A geração que não sabe como agir. Cheia de açúcar e gordura palatável, mas que mata aos poucos de esteatose quem a consome. Somos a vergonha de Renato Russo e Cazuza, a desilusão de nossos pais, o constrangimento da nação, os pais que estão sentados na sala de espera dos psicólogos dos nossos filhos.



Educamos nossas crianças para passarem no vestibular, não para serem alguém com conhecimento. Defendemos o "aluno que paga o salário do professor", em detrimento da admiração. Somos os mesmos mestres que dizem: "não precisam mais assistir aula se já têm nota para passarem de ano sem recuperação". Somos a geração que não sabe o que é ser mestre... Somos, literalmente, o futuro da nação. Uma nação de analfabetos funcionais, que lêem sem saber interpretar a ideia exposta. Que calculam usando o aplicativo do celular. Que geram teses com base no que leram no Google. Que desconhecem os clássicos, a base, a referência, a origem de tudo. Somos o futuro da nação. Somos tudo aquilo que nós nos anos 80/90 mais abominávamos: somos um bando de mimados, inseguros, idiotizados pais da Geração Nutella.

Olho pelo retrovisor e vejo respeito ao professor, à família, aos valores. Vislumbro à minha frente e vejo uma juventude sem limites, sem respeito, sem amor, sem atenção. Nossos filhos buscam nas redes sociais o que jamais encontram em casa: ouvidos atentos, aceitação e pertencimento. E nós, onde estamos? Estamos ocupados demais tentando entender onde nossos pais erraram, ocupando de forma desproporcional as antessalas de psicólogos e psiquiatras, tentando desesperadamente encontrar as respostas que, sim, moram dentro de nós. Somos a geração Coca-Cola Zero que pariu a geração Nutella, que hoje nem sabe como se faz para gerar alguma coisa.

Cazuza e Renato não descansam em paz. Nossos pais não acreditam no que vêem. Nossos avós têm vontade de voltar só para nos dar uma surra... Mas, tudo bem... Teu analista te disse que isso tudo é um processo. E você segue gado alienado cumprindo uma rotina de 8/5, fingindo ser feliz, parcelando seus sonhos no cartão de crédito e vendendo a alma ao diabo.

Vejo 2022 logo ali, dobrando a esquina. E vejo meus contemporâneos se matando por questões ideológicas, por falta de tempo, por falta de vida... Não trago comigo a verdade, mas um saco de ilusões que tento esvaziar pelo caminho. 

Onde está o respeito? Foi embora a hierarquia? Alguém lembra o que são valores? Onde moram nossos guias? Não tenho a pretensão de trazer comigo as respostas, mas de fazer alguém, quem sabe, refletir sobre qual caminho devemos tomar rumo à "saída". 

EXIT, please...

Comentários

Postagens mais visitadas