Do riso ao pranto: a guerra do improvável
O comediante nunca pensou em pegar em armas. Fazer rir seria seu único trunfo. Talvez o único grande trunfo num mundo pós guerra fria, tão fria que calor mesmo só dos gasodutos distantes. Um país desarmado. Um país meio que esquecido naquele pedaço do globo terrestre (que eu nunca entendi direito porque até hoje germina tanto ódio). A Ucrânia das lindas misses. A Ucrânia namoradeira do mundo ocidentalizado. A adolescente distraída que vive ao lado do vizinho adulto e esquisitão, conhecido como Rússia. Brincou de brincar de moderninha. Estava sentada na varanda de caneca e canequinha. Desarmada e sem calcinha. Postando reels e compartilhando stories. Quando viu o primeiro tanque. Tanque? Como assim? Que coisa mais anos 80!!! Demodê que fala?
O terror da KGB tinha invadido o seu quintal. E ele avisou. E não foi via whatsapp, nem pelas redes sociais... Aquele homem estranho, sem expressão, travestido de cidadão do mundo, viajado, havia chegado. O vizinho Rússia, pós-graduado no submundo armamentista, estrategista, manipulador, conhecedor das artimanhas das guerras até à quinta geração, estava ali. Frio, com armamento bélico suficiente para destruir o planeta, rompendo todos os teus protocolos ocidentais LGPD, teus cabos de fibra ótica, teus armazéns de alimentos, tuas usinas de energia, tuas estradas, querida Ucrânia... Ele não pedia muito em troca. Aquele homenzinho mandou o mundo ocidental calar a boca. Ordenou que o papai Baiden e a mamãe Europa ficassem quietinhos para que "nada antes visto na história da humanidade" pudesse acontecer com eles. E eles obedeceram, com dó no coração, só para não piorar a situação. Ele só queria uma coisa: você, doce Ucrânia.
E assim começou a guerra. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!! A GUERRA!!!!!! Toda a guerra é desumana! São e sempre serão! Não há lei, nem nexo, nem sentido, tampouco raras vezes, alguma razão. Guerras são motivadas por ódio. Ódio é motivado por orgulho e vaidade. Aquilo que alguns patéticos disseram que acabaria em dois dias, já perdura mais que isso e não há previsão de como irá terminar. Uma nação inteira acordou sem armas, suplicando por elas, no meio de fuzis, para defender seus velhos, suas crianças, sua história, seu patrimônio. Mulheres foram às ruas, se arregimentaram para lutar ao lado de homens civis e militares que foram convocados para defender o território que sonhava ser ocidentalizado, mas esqueceu que estava "longe demais do ocidente".
Feministas de verdade mostraram o absoluto e grande valor de ser uma mulher completa: donas de casa, solteiras, executivas, modelos, mães, filhas, esposas, solitárias, jovens e maduras, não importa, se impuseram diante do horror. Elas foram à luta! Com medo. Junto aos homens do seu país. Sem treinamento algum. Sem estrutura alguma. Só a coragem que as distingue na hora do parto e ao gerar outro ser. Quanto orgulho eu sinto dessa gente! Algumas já partiram sangrando o feminino sagrado que todas nós carregamos. Outras infelizmente irão sangrar durante os confrontos. Mas isso é a guerra. E das coisas que mais me comovem nesta guerra é a luta dos mais improváveis diante dos mais implacáveis.
A adolescente Ucrânia clama por ajuda. Papai e mamãe têm medo de sofrerem represálias e estão vendo até onde a adolescente suporta o assédio vil do vizinho Rússia. Até onde ela suporta? "Vamos ver o quanto nossa menina suporta, papai Biden", diz mamãe Europa horrorizada com os ataques sórdidos contra sua quase inocente adolescente Ucrânia. Mas essa menina tem fibra. Ela mesma, sem ter como se defender, sem ter defesa, se mantém firme. Prefere morrer em combate do que fugir dele. Não aceitou o Uber do papai, nem se contentou só com as orações da mamãe.
Poor little girl... A inocência perdida numa guerra cobrará o preço por gerações. A pandemia está morta na Ucrânia. Na batalha Darwin grita e só os fortes sobrevivem. E lá eles estão lutando para não congelarem, para não morrerem bombardeados, fuzilados, famintos ou esmagados por um tanque de guerra.
A Ucrânia representa hoje a inocência perdida, o resgate da noção armamentista em nome da legítima defesa, o fim do sonho infantil de que pintar uma unha de branco pode gerar a paz mundial e de que palavras são só palavras. A diferença nunca esteve nas palavras de um homem, mas nas atitudes dele. As piadas do comediante ucraniano só farão sentido quando ele provar ao mundo que é necessário lutar essa guerra armada para garantir que o riso se mantenha livre em seu país.

Muito bom!
ResponderExcluirExcelente! Você tem um dom com as palavras...
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